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Arquivo mensal: novembro 2012

DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, A MINHA “VERSÃO” DA HISTÓRIA…?

UNIÃO

Juntos, somos mais

Você não vai acreditar! O título atual me apareceu depois de escrever o texto final. Na verdade, o texto original não tem nenhuma relação com este título. Quando eu decidi que iria postar o pequeno poema (tentativa de poema, pois não sou poeta), que rabisquei o ano passado neste mesmo mês, eu não tinha intenção de tocar no assunto tratado nas linhas abaixo. Tudo aconteceu quando pedi a um amigo a sua opinião sobre a possibilidade de relacionar o dia da Consciência Negra com o texto em questão: “Que cor, meu Deus?” A resposta dele me surpreendeu e me fez pensar ainda mais sobre o que eu tinha escrito um ano atrás e sobre a sua atualidade. Meu amigo recusou-se a ler e comentar o meu texto porque, segundo ele, eu não gosto das coisas dos “negros”. Vixe, Maria! Que coisa, hein!?

Sem mais detalhes, eu vou, num primeiro momento, partilhar com vocês um pouco da conversa que tive com esse amigo e, depois, do poema escrito ano passado. Vamos lá.

Todos

Brasil, de todos…

Mesmo não sendo um especialista em assuntos de história, eu posso afirmar, sem medo de errar, que o dia da Consciência Negra do Brasil, além de ser uma data comemorativa, deve se tornar, hoje, mais do que nunca, um espaço e um momento forte de conscientização e de reflexão profunda sobre a sociedade brasileira na sua totalidade. Para mim, celebrar o dia 20 de novembro, relembrando a morte de Zumbi que é conhecido como o líder do Quilombo dos Palmares e de todas as raças, não pode ser simplesmente um “evento folclórico”.

Peço perdão por falar de um jeito tão radical, mas confesso que estou falando sobre o que eu conheço até então. Não é a toa que o título deste texto é bem pessoal e “redutor”. Entretanto, o que quero partilhar hoje é a minha experiência e fatos que experimentei até este momento. Neste sentido, eu quero muito agradecer a minha amiga Fabiana que sempre chamou a minha atenção sobre o “perigo da história única”. Não pretendo me estender sobre este último aspecto da questão. Quem tiver interesse, pode pesquisar na internet o nome de Chimamanda Adichie que tratou muito bem este assunto durante uma palestra, em 2009. Vale a pena conferir!

O ano passado, nesta mesma época, durante a “missa afro” (como é chamada aqui, no Brasil, uma celebração eucarística com cantos, gestos, danças e outros elementos considerados “típicos”), na paróquia Divino Espírito Santo, no Jardim Planalto, SP, partilhei meu medo diante de todas as formas e tendências de querer “polarizar” a vida.  Eu fiz questão de sublinhar que não se trata de polarizar uma luta entre um grupo étnico e um outro. Trata-se, sim, de liberdade, de igualdade e de respeito do valor intrínseco de cada ser humano, como na invocação final da primeira “Missa dos Quilombos” (Invocação a Mariama de Dom Helder Câmara).

Eu confesso que nunca gostei de me identificar a partir de uma “bandeira”. É questão de opção. Até pode ser dito uma opção nova. É pessoal. Eu tenho causas. Eu abraço lutas e não me identifico com “grupos” isolados. Eu não sou “marginal”.  Pode parecer contraditório, mas eu tenho consciência de que como humano eu não posso ficar de fora das preocupações da minha “raça”, como diria Terêncio, em outras palavras e épocas. Eu não fico de fora de jeito nenhum. De nada mesmo! Minha causa é não ficar de fora de nada de humano, pois vale a pena ariscar tudo. O que preocupa o ser humano, não importa onde e como, toca-me e mexe com o meu ser, porque vivo a vida humana na sua total dramaticidade. Eu não posso ser outra coisa. Sou somente um “ser humano”, até que provem o contrário. Disso, eu tenho “consciência”.

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Cores… Que cor?

                É o meu lado da história, neste dia da consciência negra, até porque eu vejo esta história como um haitiano (certamente, de fora). Não estou questionando. Só queria partilhar a minha preocupação. Não sou oportunista. Sou um aprendiz da vida. Sou só eu e por isso me coloquei ao lado dos outros para ser um pouco mais o que eu sou chamado a ser. Eu não sou diferente de você, mas sou mais um nesta grande e longa caminhada humana. Sou diferente, sim, porque sou único, da mesma forma que você também é. Seria bom pensar sobre isso!

Veja e, depois de ler o texto a seguir, comente se existe uma relação com o dia da Consciência Negra (já que o meu amigo recusou-se a me ajudar nesta obra). Obrigado, desde já pela paciência.

QUE COR, MEU DEUS?

Deus não é branco.

É mesmo?

Sim, senhor.

Nada de cor!

 

É assim mesmo?

Tão claro?

Facilmente definido?

Nem mesmo preto,

como no terreiro?

Nada a ver.

Longe de parecer.

 

Então, melhor dizer afro?

Nego Nagô?

Brasileiro?

Quase haitiano?

Como na canção

que virou oração?

 

Ah, sim!

Quantas vezes já ouvi,

Sem cansar, já repeti?

Que Deus é “Judaico”,

Perfeitamente Divino,

Historicamente humano?

 

Afinal, sem atributo,

Quase nada pode ser dito.

Cada vez mais parecido,

O mesmo, se revelado.

Do dia a dia o Eterno,

Fazendo do futuro,

Um sempre novo,

Assumindo o passado.

 

Da terra sofrida, um grito.

Do nosso sopro, um pedido:

Que o Natal seja eterno,

Nunca mais, sozinho, me sinto.

 

Afinal, Deus não é mesmo…

Até que sei de cor

Sim, senhor! E repito:

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Amor – Love – AMOUR

Só amor.

 

R. André Alcinéus, novembro 2012.

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Publicado por em novembro 20, 2012 em Au jour le jour