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Arquivo mensal: março 2010

Um Evangelho ao sabor do dia-a-dia

Oi minha gente,
 
neste tempo de Quaresma, venho partilhar mais uma reflexão com vocês. Eu quero em primeiro momento avisar que foi escrita de modo rápido e sem grandes pretensões teológicas. Eu a coloquei aqui para valorizar uma forma da oração quaresmal verdadeira. Boa leitura e como sempre, aguardo as reações de vocês, viu…
 
Boa caminhada quaresmal…
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Um Evangelho ao sabor do dia-à-dia…

                Quarta-feira, dia 3 de março de 2010. São vinte e uma horas e trinta minutos. Acabei de chegar para a casa paroquial. Após a minha última obrigação pastoral do dia, me encontrei no silêncio do meu quarto para reorientar as atividades do meu amanha. (silêncio! Só pelo fato de que acabei de chegar, porque na verdade sempre gostei de uma música de fundo.) Foi então que deparei com a frase que é o título desta partilha. Estava escrita na primeira página da liturgia diária, como uma maneira de atrair a minha atenção.

                O Evangelho que estou falando é Aquele que o Diácono acabou de proclamar durante a Santa Missa na Comunidade Mãe de Deus da paróquia de Lourdes em Governador Valadares. É a famosa passagem do pedido da mãe dos filhos do Zedebeu encontrada no capítulo vinte de São Mateus (Mt 20, 17-28).

Que Evangelho é esse e que tem o sabor do dia-à-dia? Será que um só Evangelho tem este sabor? Dia-a-dia de quem?

São tantas as perguntas – válidas – que podem ser feitas diante do título. Antes de tudo, eu quero confirmar que estou falando do meu dia-a-dia; do que estou experimentando, ouvindo e testemunhando aqui no meu novo serviço como vigário paroquial. O que é tão comum assim neste trecho do Evangelho de Mateus? É o fato de Jesus levar consigo os dozes? Nada disso! Eles eram os seus companheiros mais fiéis (infiéis também). É o anuncio da sua morte? Será que foi a reação dos outros discípulos ao ouvir a resposta de Jesus ao pedido da mãe dos filhos do Zebedeu? Ou o pedido mesmo? Será? Em que este pedido foi tão especial, considerando que foram tantos os pedidos feitos ao longo da caminhada de Jesus? Qual é a resposta?

A resposta tem um aspecto de cada uma destas interrogações. É verdade que a resposta de Jesus deixou claro que o seu Reino é bem diferente das nossas concepções e dos nossos planos. Claro que o pedido das mães dos filhos do Zebedeu deixou os outros discípulos com muita raiva, mas o meu foco esta num outro aspecto do pedido.

Qual mãe não deseja o melhor para o seu filho? Como padre, eu não consegue mais contar quantas vezes ao dia as mães me pediram de lembrar o seu filho ou sua filha nas minhas humildes orações cotidianas. Qual mãe cristã nunca fez este mesmo pedido? Qual mãe cristã nunca fez uma oração parecida com a da mãe dos filhos do Zebedeu? Talvez as palavras usadas no contexto de hoje não sejam as mesmas literalmente, mas a intenção é a mesma: Querer o melhor para a sua família.

Que belo exemplo!

Agradeço a Deus pela ousadia desta mulher que, sem saber o que estava pedindo, nos deu a melhor orientação para a nossa oração diária.

Neste tempo da Quaresma, tempo de jejum, de esmola e de oração saibamos imitar esta mulher, procurando o melhor para nós e para as nossas famílias. Que nunca deixamos de andar na companhia de Jesus. Que procuremos sempre estar ao lado Dele. Que o exemplo da mãe dos filhos do Zebedeu nos ajude a rezar de verdade: Querer estar ao lado do Senhor, na sua presença. Isso nos basta! Isso é oração.

Pe R. André ALcinéus, CSSp

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Publicado por em março 4, 2010 em Au jour le jour