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Arquivo mensal: novembro 2009

No dia do Rei do universo uma homenagem para a verdade…

Gente, venho vos lembrar que amanha dia 22 de novembro de 2009, solenidade do Cristo Rei, encerramos o ano B da caminhada litúrgica. Este ano o 34 domingo comum coincidiu-se com o dia em que se comemora normalmente santa Cecília, padroiera da música sacra e dos músicos em geral. Meditando sobre as palavras do Evangelho da festa de amanha (João 18, 33b-37) e fui tocado particularmente pelo último versículo. Jesus indicou claramente que para ser cidadão do seu Reino a nossa carteira tem que ter a marca da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz (Jo 18, 37).
O tema da verdade é muito amplo. Recentemente eu tive uma experiência marcante sobre este assunto que eu quero partilhar com vocês amigos.
 
Após a leitura do texto seguinte, gostaria de receber a sua opinião: O que você esta escutando nestes momentos? Qual música está mexendo mais contigo? Um abraço…
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Música. Música da minha vida.

 

Que título é esse?

Música?

É isso mesmo?

É disso que eu queria falar mesmo?

 

Eu não sei não, mas eu quero partilhar com vocês uma experiência particular e única que vivi nestes últimos dias durante um encontro de preparação para o sacramento da Crisma na comunidade N.S da Conceição (Bairro Guanabara, Contagem, MG).

 

Três semanas atrás, me foi feito um convite para ir conversar com os adolescentes e jovens da turma da Crisma sobre o tema da música: O que estamos escutando? Porque? Na verdade a proposta de trabalho que eu fiz para este dia era de envolver cada participante. Foi simples: Cada jovem (adolescente) deverá pesquisar o seu estilo de música e no seu repertório de canções favoritas escolherá uma música que será apresentada aos outros. Em seguida, cada um destacará o porquê e as razões da escolha de tal particular música.

 

Podemos imaginar a dificuldade tanto para alguns fazerem a sua escolha quanto para outros frisarem as razões que motivam que alguém escuta e gosta tal particular tipo de música. A dificuldade maior não era tão a escolha, mas como fazer para escolher somente uma música. Normal porque hoje a tendência é que as pessoas sejam mais ecléticas quando é questão de apreciação musical. Eu não quero dizer que em outros momentos da história éramos mais conservadores. Não. Nada disso. Parece-me que hoje em dia tudo seja ditado pelo momento, pela mídia e pelo sucesso popular. A música de Regis Danese (Faz um milagre em mim) faz bem este papel. Estou falando de um verdadeiro sucesso popular e sem barreiras. É impressionante como esta música entrou naturalmente em todos os ambientes do nosso Brasil!

 

Voltamos ao nosso assunto. Qual foi está experiência tão singular que vale a pena escrever um texto? Eu não sei se isso já aconteceu com vocês, mas naquele encontro com os jovens e adolescentes eu fui mais ensinado pelos meus interlocutores convocados para me escutar. Eu preparei direitinho o meu assunto para passar algo para os jovens e adolescentes, mas o meu próprio ensinamento voltou para mim. Fui ao mesmo tempo aluno e professor. Um pouco mais aluno, digamos.

 

Durante a conversa inaugural da minha apresentação eu perguntei se alguém queria partilhar sobre a sua compreensão da existência ou não de uma música sagrada e uma música profana (do mundo como se ouve mais freqüentemente)? Com certeza eu tinha a minha resposta, mas não esperava que seja divulgada com tanta precisão por alguém, aparentemente sem muita grande experiência e cultura musical e religiosa. Uma jovem (de 15 anos) levantou a mão e com as seguintes palavras disparou:

 

“ Eu não sei não padre, para mim não existe essa coisa de música sagrada ou do mundo. O que existe é música, algo ao mesmo tempo agradável e misterioso. Você já parou para pensar como com alguns toques, algumas batidas, um sopro bastam para mexer com todo o nosso ser?”

 

Como assim, desafiei?

 

“Na verdade, falou ela, eu acho que precisamos hoje parar de confundir música e conjunto de sons (pode ser qualquer tipo). Para mim, acrescentou, música é linguagem. Para falar de música, precisamos de melodia (algo agradável, que não agride), consistência (é como os nossos famosos caldos servidos nos períodos de frio aqui em Minas, disse ela)e emoção (que isso mexe com a gente).”

 

“É por isso, concluiu ela, música é música porque é sempre portadora de uma mensagem misteriosa que fala ao coração.”

 

Você quer dizer que isso acontece com qualquer tipo de música, perguntei de novo para ela?

 

Absoluta, confirmou ela, antes de afirmar com mais força: “é este poder de falar ao coração que faz com que uma música será eterna ou não. Com uma música somos capaz de declarar o nosso amor, de protestar, de elogiar ou simplesmente de rezar. Não é por isso que se fala do canto como uma dose dupla de oração: canta bem é rezar duas vezes?”

 

Depois deste último argumento eu nem quis perguntar mais nada. Não tinha mais nada para pergunta se não meditar sobre estas palavras tão fortes e sábias saindo de uma boca tão adolescente. De fato, nem falei nada do que eu preparei. Somente convidei toda a turma a comentar comigo as músicas que eu tinha escolhido para o encontro. Surpresa! Ao terminar de comentar, como para me ajudar a exprimir o que eu estava sentindo naquele momento o resto da turma explodiu com uma demorada salva de palmas. Com certeza não foi para mim. Eu só poderia agradecer a turma por ter me ajudado a reconhecer a profundeza da reflexão da minha coadjuvante ocasional.

 

O meu objetivo nesta pequena partilha não foi discursar ou apresentar uma nova definição do que é música. Com certeza muitos outros aspectos são esquecidos nesta nossa conversa, mas eu queria dizer para vocês como alguém me ajudou a compreender o efeito da música na vida de cada um de nós. Por isso é bom ter consciência do que estamos escutando. O que estamos querendo dizer com as músicas que escutamos?

 

Diga-me o que você escuta e te direi quem é você?

 

Pe R. André Alcinéus, CSSp

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Não esqueça, deixe o seu recado: Qual é a sua música?
 
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Publicado por em novembro 22, 2009 em Au jour le jour