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DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA, A MINHA “VERSÃO” DA HISTÓRIA…?

UNIÃO

Juntos, somos mais

Você não vai acreditar! O título atual me apareceu depois de escrever o texto final. Na verdade, o texto original não tem nenhuma relação com este título. Quando eu decidi que iria postar o pequeno poema (tentativa de poema, pois não sou poeta), que rabisquei o ano passado neste mesmo mês, eu não tinha intenção de tocar no assunto tratado nas linhas abaixo. Tudo aconteceu quando pedi a um amigo a sua opinião sobre a possibilidade de relacionar o dia da Consciência Negra com o texto em questão: “Que cor, meu Deus?” A resposta dele me surpreendeu e me fez pensar ainda mais sobre o que eu tinha escrito um ano atrás e sobre a sua atualidade. Meu amigo recusou-se a ler e comentar o meu texto porque, segundo ele, eu não gosto das coisas dos “negros”. Vixe, Maria! Que coisa, hein!?

Sem mais detalhes, eu vou, num primeiro momento, partilhar com vocês um pouco da conversa que tive com esse amigo e, depois, do poema escrito ano passado. Vamos lá.

Todos

Brasil, de todos…

Mesmo não sendo um especialista em assuntos de história, eu posso afirmar, sem medo de errar, que o dia da Consciência Negra do Brasil, além de ser uma data comemorativa, deve se tornar, hoje, mais do que nunca, um espaço e um momento forte de conscientização e de reflexão profunda sobre a sociedade brasileira na sua totalidade. Para mim, celebrar o dia 20 de novembro, relembrando a morte de Zumbi que é conhecido como o líder do Quilombo dos Palmares e de todas as raças, não pode ser simplesmente um “evento folclórico”.

Peço perdão por falar de um jeito tão radical, mas confesso que estou falando sobre o que eu conheço até então. Não é a toa que o título deste texto é bem pessoal e “redutor”. Entretanto, o que quero partilhar hoje é a minha experiência e fatos que experimentei até este momento. Neste sentido, eu quero muito agradecer a minha amiga Fabiana que sempre chamou a minha atenção sobre o “perigo da história única”. Não pretendo me estender sobre este último aspecto da questão. Quem tiver interesse, pode pesquisar na internet o nome de Chimamanda Adichie que tratou muito bem este assunto durante uma palestra, em 2009. Vale a pena conferir!

O ano passado, nesta mesma época, durante a “missa afro” (como é chamada aqui, no Brasil, uma celebração eucarística com cantos, gestos, danças e outros elementos considerados “típicos”), na paróquia Divino Espírito Santo, no Jardim Planalto, SP, partilhei meu medo diante de todas as formas e tendências de querer “polarizar” a vida.  Eu fiz questão de sublinhar que não se trata de polarizar uma luta entre um grupo étnico e um outro. Trata-se, sim, de liberdade, de igualdade e de respeito do valor intrínseco de cada ser humano, como na invocação final da primeira “Missa dos Quilombos” (Invocação a Mariama de Dom Helder Câmara).

Eu confesso que nunca gostei de me identificar a partir de uma “bandeira”. É questão de opção. Até pode ser dito uma opção nova. É pessoal. Eu tenho causas. Eu abraço lutas e não me identifico com “grupos” isolados. Eu não sou “marginal”.  Pode parecer contraditório, mas eu tenho consciência de que como humano eu não posso ficar de fora das preocupações da minha “raça”, como diria Terêncio, em outras palavras e épocas. Eu não fico de fora de jeito nenhum. De nada mesmo! Minha causa é não ficar de fora de nada de humano, pois vale a pena ariscar tudo. O que preocupa o ser humano, não importa onde e como, toca-me e mexe com o meu ser, porque vivo a vida humana na sua total dramaticidade. Eu não posso ser outra coisa. Sou somente um “ser humano”, até que provem o contrário. Disso, eu tenho “consciência”.

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Cores… Que cor?

                É o meu lado da história, neste dia da consciência negra, até porque eu vejo esta história como um haitiano (certamente, de fora). Não estou questionando. Só queria partilhar a minha preocupação. Não sou oportunista. Sou um aprendiz da vida. Sou só eu e por isso me coloquei ao lado dos outros para ser um pouco mais o que eu sou chamado a ser. Eu não sou diferente de você, mas sou mais um nesta grande e longa caminhada humana. Sou diferente, sim, porque sou único, da mesma forma que você também é. Seria bom pensar sobre isso!

Veja e, depois de ler o texto a seguir, comente se existe uma relação com o dia da Consciência Negra (já que o meu amigo recusou-se a me ajudar nesta obra). Obrigado, desde já pela paciência.

QUE COR, MEU DEUS?

Deus não é branco.

É mesmo?

Sim, senhor.

Nada de cor!

 

É assim mesmo?

Tão claro?

Facilmente definido?

Nem mesmo preto,

como no terreiro?

Nada a ver.

Longe de parecer.

 

Então, melhor dizer afro?

Nego Nagô?

Brasileiro?

Quase haitiano?

Como na canção

que virou oração?

 

Ah, sim!

Quantas vezes já ouvi,

Sem cansar, já repeti?

Que Deus é “Judaico”,

Perfeitamente Divino,

Historicamente humano?

 

Afinal, sem atributo,

Quase nada pode ser dito.

Cada vez mais parecido,

O mesmo, se revelado.

Do dia a dia o Eterno,

Fazendo do futuro,

Um sempre novo,

Assumindo o passado.

 

Da terra sofrida, um grito.

Do nosso sopro, um pedido:

Que o Natal seja eterno,

Nunca mais, sozinho, me sinto.

 

Afinal, Deus não é mesmo…

Até que sei de cor

Sim, senhor! E repito:

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Amor – Love – AMOUR

Só amor.

 

R. André Alcinéus, novembro 2012.

 
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Publicado por em novembro 20, 2012 em Au jour le jour

 

QUAL É TUA “VOCAÇÃO”?

Cartaz Mês vocacional 2012

Cartaz Mês vocacional 2012

MÊS DE AGOSTO: MÊS DEDICADO À ORAÇÃO, REFLEXÃO E AÇÃO SOBRE O TEMA DAS VOCAÇÕES.

Em 1981, a CNBB, na sua Assembleia Geral, instituiu o mês de agosto como mês vocacional para todo o Brasil. O mês vocacional, na dinâmica pastoral da Igreja do Brasil, quer ser um instrumento eficaz a fim de despertar a consciência das comunidades para a corresponsabilidade na missão recebida de Jesus Cristo. A cada domingo do mês de Agosto, somos chamados a destacar em nossas celebrações litúrgicas uma forma específica de viver o nosso chamado. A vocação sacerdotal é lembrada no primeiro domingo, enquanto a familiar é celebrada no dia dos pais (segundo domingo), antes de destacar uma outra forma de doação que a vocação para a vida religiosa feminina e masculina proporciona, no terceiro domingo. Por fim, no quarto domingo, recordamos todos os ministérios leigos e, de modo especial, os catequistas. É bom sublinhar que no ano em que o mês de agosto tiver cinco domingos, no quarto domingo são recordados todos os ministérios leigos e no quinto, separadamente, o dia do catequista.

Vocações

Vocações

A palavra vocação, vocare em latim, significa chamar (o chamado). É sempre Deus que tem a iniciativa de chamar os “colaboradores”. Isso significa que ser chamado ou sentir-se chamado é ouvir a voz de Deus que clama nos eventos do dia a dia da nossa caminhada. Deus não chama fora dos contextos concretos das nossas vidas. Ele continua, ainda hoje, chamando do mesmo jeito que chamava na história do povo de Israel. Ele chama todos, mas alguns são chamados para uma missão específica a serviço da Igreja, da sociedade, do Reino em geral.

Vocação é também uma resposta livre e alegre dada ao chamado de Deus. A resposta não é um simples ato de satisfação pessoal, mas sim um processo comunitário: “Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe” (Mt 9,38). A pessoa é chamada num contexto particular. A resposta também deve ser no mesmo contexto. Vocação é questão de comunidade, de gente “unida”; é coisa de “família”; é “a resposta de Deus providente a uma comunidade orante” (Puebla).

Não se pode falar de vocação sem priorizar a oração. A oração deve estar no coração de todo processo vocacional. Vocação é simplesmente o mais concreto fruto de uma intimidade cultivada com Deus. É Rezando que se ouve a voz de Deus. É rezando, também, que se faz verdadeira a nossa resposta ao seu chamado.

Confiança na caminhada

Confiança na caminhada

O mês vocacional é celebrado a cada ano. Eu vejo muitas criatividades nas mais simples comunidades para destacar o evento. Não tenho nenhuma dúvida de que estamos diante de uma boa “estratégia” de conscientização pastoral. É válido, sim, mas não podemos resumir todo o trabalho vocacional em um único mês do ano. Por isso, eu faço este apelo aqui: a conscientização vocacional deve acontecer a cada dia e em todos os meses do ano. Isso supõe que cada batizado tenha a certeza de que é, de um modo ou outro, um agente de animação vocacional, até porque o melhor testemunho para atrair outros (chamar outros; “ser como Deus”) é exatamente o próprio exemplo de vida pessoal.

Luz no meu caminho

Luz no meu caminho

Creio que o mês vocacional é, antes de tudo, um convite à oração. Celebrar o mês de Agosto como o mês vocacional deve ser uma oportunidade para uma nova conscientização sobre o valor da oração na vida cristã. É o meu desejo e minha intenção de oração para o mês vocacional de 2012. Votos que eu resumo nestas palavras: “Dai-nos olhos para ver as necessidades e os sofrimentos dos nossos irmãos e irmãs; inspirai-nos palavras e ações para confortar os desanimados e oprimidos; fazei que, a exemplo de Cristo, e seguindo o seu mandamento, nos empenhemos lealmente no serviço a eles. Vossa Igreja seja testemunha viva da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que toda a humanidade se abra à esperança de um mundo novo.” (Texto extraído da Oração Eucarística VI-D).

R. André, Agosto 2012

 
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Publicado por em agosto 22, 2012 em Au jour le jour

 

24 de Março, PARA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS COISAS>>> (Versão Curta)…

Nunca senti o que estou sentindo agora: Eu vou presidir a Eucaristia com a juventude da Paróquia Divino Espírito Santo…E aí? Hoje é 24 de Março gente!.. Você não sabe porque não? Então é hora de estudar mais a história da caminhada… É hora de fazer memória de um jeito de ser IGREJA na AMÉRICA LATINA… Óscar Arnulfo Romero Galdámez , conhecido como Monsenhor Romero, (Ciudad Barrios, San Miguel, 15 de agosto de 1917 — San Salvador, 24 de março de 1980) foi um sacerdote católico salvadorenho, quarto arcebispo metropoliano de San Salvador (1977-1980). Foi assassinado em plena celebração. Agora você entendeu porque eu falo sempre que devemos pensar muito antes de participar da Eucaristia? Agora você entendeu porque cantamos que “Comungar é tornar-se um perigo?”…A JUVENTUDE PODE…

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Publicado por em março 24, 2012 em Au jour le jour

 

12 de Janeiro, para não dizer que eu não falei das coisas…

Haiti 2012


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Definitivamente o mês de janeiro entrou para ficar na história do Haiti. Foi no primeiro dia do mês do ano de 1804 que o país, contra “tudo e todos”, tirou do papel a famosa declaração “francesa” dos direitos dos homens e do cidadão que serviria, sem dúvida, de base para a Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pela Organização das Nações Unidas no dia 10 de Dezembro de 1948. São 208 anos de “independência” das correntes da colonização escravagista.

Enquanto os haitianos lembram o seu passado libertador não podemos esquecer que há dois anos o país sofreu um terrível terremoto que matou mais de 300.000 pessoas e, até hoje, deixou todas as marcas possíveis de uma tragédia. Eu me lembro bem, durante o meu retorno ao país no mês de agosto do ano passado: tive a impressão de que tudo havia acontecido “ontem”. Eu daria tudo para que toda esta história de terremoto fosse somente o roteiro de mais um filme de ficção. Mas aconteceu de verdade. As imagens estão ainda vivas e fortes. Na capital, Porto Príncipe, a visão não havia mudado muito em relação às primeiras imagens de desolação divulgadas na noite de 12 de Janeiro de 2010. Até o resto do Palácio Nacional estava lá para nos lembrar deste dia em que “a terra tremeu” e nos fez sentir pequenos. Nas ruas, as pessoas continuam indo e vindo no meio das velhas tendas. Além deste “espetáculo” nada agradável, o que mais me chamou atenção foi a grande e massiva presença de tantas ONG´s, principalmente estrangeiras, algumas com o mesmo nome (só que de países diferentes). Eu não pretendo analisar os fatos, mas prefiro ver um sinal concreto da “onda” de solidariedade que em todo o mundo se ouvia em favor do Haiti logo nas primeiras horas da catástrofe. Esta solidariedade, espontânea, naquela época, não tinha nem cor, nem religião. Ela era humana. Era o grito da humanidade ferida em cada haitiano. Esta solidariedade, aqui no Brasil, teve um sabor particular com a notícia de que a “mãe” da pastoral da criança se solidarizou até as últimas conseqüências com o povo do Haiti. Depois começaram a “chover” as muitas promessas de que a reconstrução era apenas questão de tempo. Não somente a reconstrução do espaço físico, mas espiritual. A própria CNBB se manifestou mandando vários representantes (até confrade da nossa congregação) e, várias vezes, para avaliar e iniciar uma nova linha da missão da Igreja do Brasil. A própria arquidiocese de São Paulo se envolveu diretamente nesta “onda” missionária. Graças a Deus!

POR AMOR A VIDA


Neste dia 12 de janeiro de 2012, dois anos depois dos segundos mais longos na historia do meu país o que percebo é um sentimento de que algo está errado. O que está errado? Quem está errado? O que senti neste momento de um modo geral foi a sensação de certa impotência diante de tantas perguntas sem respostas. Eu não sei bem, mas parece que as interrogações tenham mais espaço do que as afirmações no contexto de hoje. Aliás, digo de passagem, eu não me preocupo muito em “forjar” ou receber qualquer resposta para aliviar esta incerteza. Porém, tenho consciência de que para alguém de fora, mesmo sendo um membro do povo, a visão nunca pode ser considerada absoluta até porque é resultante de uma leitura segunda e indireta. É esta leitura que eu vou tentar partilhar nas seguintes linhas.

VER-JULGAR-AGIR...CELEBRAR

A sensação que eu tenho hoje é que acabou definitivamente o tempo em que ser haitiano era orgulho para a America Latina que lutava contra a escravidão “colonial”. Não só que os povos se espelhavam no exemplo da parte oeste da grande Ilha “Hispanhola”, mas alguns receberam apoio direto do Haiti para o seu próprio processo de formação como nação. A história do povo venezuelano, por exemplo, registra vários momentos desta inspiração e cooperação na luta pela liberdade. Os tempos mudaram, o mundo mudou (e como mudou! E muito mesmo!), as conjunturas não são as mesmas em nenhum lugar do planeta. Assim, de um tempo pra cá (nem sei mais dizer desde quando) ser haitiano vem a representar um peso para o resto do mundo. O Haiti é lembrado como um país que fracassou em tudo e, tem gente que até sustentou a tese, de uma nação precoce que não estava pronta para assumir a liberdade conquistada, como se fosse possível falar da liberdade como algo negociável! Será que tem um tempo para ser livre? Será que o ser humano não nasce livre mesmo? Às vezes, ouvindo falar do Haiti, eu tenho a impressão de que o meu país vem sendo um lugar de experimentação econômica, política e até militar. Não é por acaso que o Brasil recebeu e está comandando a sua primeira grande missão militar da ONU exatamente no Haiti. Alguns amigos aqui no Brasil até brincam com o fato e, certo dia, um deles fez este comentário: “O Brasil nem consegue se comandar e hoje vai comandar outro país; este país deve ser ruim mesmo, né?” Será que o Haiti é aqui mesmo?

Não é, não! Ainda mais hoje, mesmo tendo problemas, favelas e corruptos parecidos com os daqui, não é mais, não. Tem jornalista (repórter espetacular) que ganhou até medalha porque mostrou, não sem exagero, que a coisa mudou faz tempo! Acabou o tempo quando o café haitiano era um dos mais cobiçados ao lado da safra brasileira. O que produzimos hoje quase não dá mais nem para a apreciação local. Falando do Brasil, onde eu vivo desde quase 6 anos por opção missionária e pelo desejo de conhecer a terra do Dom Helder Câmara, eu posso dizer que foi aqui que eu me senti mais haitiano na visão atual do mundo. Desde que cheguei aqui em fevereiro de 2006 eu me deparo a cada ocasião com as mesmas e inevitáveis perguntas. Uma, em particular, sempre me deixou quase sem reação: Quando você vai trazer os seus pais para morar aqui? – Eu não vou trazer eles para morar não porque um dia eu pretendo voltar para servir a minha Igreja, tento responder – não que eu não tenha gostado ou não tenha sido bem recebido. No entanto, sempre tive a certeza de que o Haiti está e estará nas minhas prioridades. Com certeza a minha experiência aqui servirá para fazer de mim um missionário melhor no futuro e para o meu retorno definitivo. Neste sentido eu sou muito grato ao povo brasileiro, como aos demais países onde eu já vivi, estudei e passei na minha caminhada missionária e humana.

Desde que o Brasil passou a comandar a operação militar no Haiti e por ter saído da parte mais aguda da crise econômica mundial quase sem grande susto, ao contrário do que aconteceu com as maiores economias do mundo, a imagem que se vende lá fora é que temos um “novo rico”. Tese que foi se confortando com a ostentação de todo o aparato militar brasileiro nas ruas do Haiti. Para qualquer um desesperado em busca de uma saída qualquer o novo “Tio Sam” mudou de endereço, e ficou também um pouco mais longe (se for comparar com Miami). E como era de esperar a população haitiana no Brasil aumentou consideravelmente e, muitas vezes, do jeito errado. Não é mais novidade para ninguém no Brasil que há mais de 1200 “refugiados” haitianos na cidade acreana de Brasiléia, que na semana passada receberam, do governo federal, a boa notícia de que serão ajudados no processo de regularização e de integração. Mais uma promessa!
Agora uma coisa chamou a minha atenção nesta história toda. Voltando atrás e comparando a minha própria situação de estrangeiro (claro, a minha situação é bem diferente e privilegiada), recordo como foi difícil chegar ao Brasil e receber o visto permanente. Então me pergunto: O que vai acontecer verdadeiramente com os meus irmãos haitianos que estão vivendo em Brasiléia? Agora que eles estão saindo em grupos de 40, onde eles vão? O que eles vão fazer? Como eles vão viver? Até aqui tudo bem, mas outra pergunta me perturba: como conseguiram chegar até o Acre? Quem já morou nesta parte do país sabe como é difícil chegar até lá. Quem facilitou?

HAITI CHÉRIE


Fazendo memória deste segundo “aniversário” do terrível terremoto que mudou para sempre o destino de um povo já sofrido, mas mesmo assim, eu continuo dizendo que é, carinhosamente, o meu “HAITI CHÉRIE”, tenho a sensação de que, com a chegada destes irmãos haitianos no Brasil (e principalmente como eles chegaram) os efeitos do terremoto são ainda em 2012 mais do que dramáticos. Eu temo o pior. Espero que eles não sejam mais um contingente de pessoas que vai aumentar a lista dos desempregados, dos ignorados e dos abandonados pelo sistema. É por isso que as minhas últimas perguntas me preocupam. Elas são muitas e tão urgentes para ficar muito tempo sem respostas. Precisamos apurar os fatos. Precisamos fazer algo. Precisamos saber a verdade dos fatos para ter uma certa tranqüilidade e continuar viver (e até sobreviver)…

R. André Alcinéus, CSSp

 
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Publicado por em janeiro 12, 2012 em Reflections

 

Com um pouco de atraso…

Se calarem a voz dos profetas...

No dia 20 de Novembro passado foi comemorado, de um jeito particular, o dia da Consciência Negra na paróquia Divino Espírito Santo (Jardim Planalto, SP). Alias, esta data comemorativa, no Brasil, vem sendo comemorada desde a década de 1960 e foi estabelecida pelo projeto lei número 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. Foi escolhida a data de 20 de novembro, pois foi neste dia, no ano de 1695, que morreu Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e de todas as raças.

Naquele dia, na paróquia Divino Espírito Santo, redescobrimos o quanto a criação desta data foi e está sendo um momento forte de conscientização e de reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação cultural, econômica, social, religiosa e política da povo brasileiro. Durante a celebração sublinhamos a fato de que não se trata de polarizar uma luta entre um grupo étnico e um outro, mas sim de liberdade, de igualdade e de respeito do valor intrínseco de cada ser humano, como na invocação final da “Missa dos Quilombos” (Invocação a Mariama).

Essa oração de D. Hélder, já tem 30 anos, mas não perdeu a sua atualidade. Por isso eu venho partilhá-la hoje… Em nome de todos que lutam pelos valores eternos…

R. André
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Invocação à Mariama

“Mariama, Nossa Senhora, mãe de Cristo e mãe dos homens!

Mariama, mãe dos homens de todas as raças, de todas as cores, de todos os cantos da Terra.

Pede a teu filho que esta festa não termine aqui, a marcha final vai ser linda de viver.

Mas é importante, Mariama, que a igreja de teu filho não fique em palavras, não fique em aplausos.

O importante é que a CNBB, a Conferência dos Bispos, embarque de cheio na causa dos negros.

Como entrou de cheio na pastoral da terra e na pastoral dos índios.

Não basta pedir perdão pelos erros de ontem.

É preciso acertar o passo de hoje sem ligar ao que disserem.

Claro que dirão, Mariama, que é política, que é subversão, que é comunismo.

É Evangelho de Cristo, Mariama!

Mariama, mãe querida, problema de negro acaba se ligando com todos os grandes problemas humanos.

Com todos os absurdos contra a humanidade, com todas as injustiças e opressões.

Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo a maldita fabricação de armas.

O mundo precisa fabricar é paz.

Basta de injustiças!

Basta de uns sem saber o que fazer com tanta terra e milhões sem um palmo de terra onde morar.

Basta de uns tendo que vomitar para comer mais e 50 milhões morrendo de fome num só ano.

Basta de uns com empresas se derramando pelo mundo todo e milhões sem um canto onde ganhar o pão de cada dia.

Mariama, Nossa Senhora, mãe querida, nem precisa ir tão longe, como no teu hino.

Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias e o pobres de mãos cheias.

Nem pobre, nem rico!

Nada de escravo de hoje ser senhor de escravos amanhã.

Basta de escravos!

Um mundo sem senhores e sem escravos.

Um mundo de irmãos.

De irmãos não só de nome e de mentira.

De irmãos de verdade, Mariama!”

Dom Helder Câmara

 
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Publicado por em novembro 30, 2011 em Notícias

 

“RE”-Saborear…

Dom Oscar Romero

Oi amigos,
Eu não tive muito tempo para olhar se existe uma forma “reflexiva” do verbo “Saborear” no sentido de dizer saborear de novo, por isso eu coloquei parte da radical da palavra em destaque. Na verdade eu queria atrair atenção sobre um texto do meu blog que escrevi o ano passado quase na mesma época. Como eu gostaria que fosse hoje!

Na vespera do 31 aniversário do martírio do Óscar Arnulfo Romero Galdámez , conhecido como Monsenhor Romero, (Ciudad Barrios, San Miguel, 15 de agosto de 1917 — San Salvador, 24 de março de 1980) venho vos lembrar da importância de sempre resgatar o nosso passado. Não faz mal, de vez em quando, voltar atrás… Boa leitura…
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Um Evangelho ao sabor do dia-a-dia (publicado no dia de 4 março de 2010)

Oi minha gente,

neste tempo de Quaresma, venho partilhar mais uma reflexão com vocês. Eu quero em primeiro momento avisar que foi escrita de modo rápido e sem grandes pretensões teológicas. Eu a coloquei aqui para valorizar uma forma da oração quaresmal verdadeira. Boa leitura e como sempre, aguardo as reações de vocês, viu…

Boa caminhada quaresmal…———————————————
Um Evangelho ao sabor do dia-à-dia…

Quarta-feira, dia 3 de março de 2010. São vinte e uma horas e trinta minutos. Acabei de chegar para a casa paroquial. Após a minha última obrigação pastoral do dia, me encontrei no silêncio do meu quarto para reorientar as atividades do meu amanha. (silêncio! Só pelo fato de que acabei de chegar, porque na verdade sempre gostei de uma música de fundo.) Foi então que deparei com a frase que é o título desta partilha. Estava escrita na primeira página da liturgia diária, como uma maneira de atrair a minha atenção.

O Evangelho que estou falando é Aquele que o Diácono acabou de proclamar durante a Santa Missa na Comunidade Mãe de Deus da paróquia de Lourdes em Governador Valadares. É a famosa passagem do pedido da mãe dos filhos do Zedebeu encontrada no capítulo vinte de São Mateus (Mt 20, 17-28).

Que Evangelho é esse e que tem o sabor do dia-à-dia? Será que um só Evangelho tem este sabor? Dia-a-dia de quem?

São tantas as perguntas – válidas – que podem ser feitas diante do título. Antes de tudo, eu quero confirmar que estou falando do meu dia-a-dia; do que estou experimentando, ouvindo e testemunhando aqui no meu novo serviço como vigário paroquial. O que é tão comum assim neste trecho do Evangelho de Mateus? É o fato de Jesus levar consigo os dozes? Nada disso! Eles eram os seus companheiros mais fiéis (infiéis também). É o anuncio da sua morte? Será que foi a reação dos outros discípulos ao ouvir a resposta de Jesus ao pedido da mãe dos filhos do Zebedeu? Ou o pedido mesmo? Será? Em que este pedido foi tão especial, considerando que foram tantos os pedidos feitos ao longo da caminhada de Jesus? Qual é a resposta?

A resposta tem um aspecto de cada uma destas interrogações. É verdade que a resposta de Jesus deixou claro que o seu Reino é bem diferente das nossas concepções e dos nossos planos. Claro que o pedido das mães dos filhos do Zebedeu deixou os outros discípulos com muita raiva, mas o meu foco esta num outro aspecto do pedido.

Qual mãe não deseja o melhor para o seu filho? Como padre, eu não consegue mais contar quantas vezes ao dia as mães me pediram de lembrar o seu filho ou sua filha nas minhas humildes orações cotidianas. Qual mãe cristã nunca fez este mesmo pedido? Qual mãe cristã nunca fez uma oração parecida com a da mãe dos filhos do Zebedeu? Talvez as palavras usadas no contexto de hoje não sejam as mesmas literalmente, mas a intenção é a mesma: Querer o melhor para a sua família.

Que belo exemplo!

Agradeço a Deus pela ousadia desta mulher que, sem saber o que estava pedindo, nos deu a melhor orientação para a nossa oração diária.

Neste tempo da Quaresma, tempo de jejum, de esmola e de oração saibamos imitar esta mulher, procurando o melhor para nós e para as nossas famílias. Que nunca deixamos de andar na companhia de Jesus. Que procuremos sempre estar ao lado Dele. Que o exemplo da mãe dos filhos do Zebedeu nos ajude a rezar de verdade: Querer estar ao lado do Senhor, na sua presença. Isso nos basta! Isso é oração.

Pe R. André ALcinéus, CSSp

 
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Publicado por em março 23, 2011 em Notícias

 

No dia da Água, falar dos direitos humanos..

Oi minha gente,

Como vai hoje? Espero que tudo esteja bem com todos vocês. Neste dia, 22 de Março de 2011, mundial da água decidi publicar um velho (bem conhecido, não sei não) documento das Nações Unidas. Eu poderia lembrar também o tema da Campanha da Fraternidade deste Ano (CF 2011: Fraternidade e Vida no Planeta), mas decidi fazer isso para não perder a memória e lembrar que é sempre bom voltar atrás na história para melhor orientar o futuro (melhor dizer, o dia de hoje)… Boa degustação….———————————-

Não esqueça de deixar o seu comentário viu….

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Source: United Nations Information Centre, Portugal

Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;

Considerando que o desconhecimento e o desprezo dos direitos do Homem conduziram a actos de barbárie que revoltam a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os seres humanos sejam livres de falar e de crer, libertos do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta inspiração do Homem;

Considerando que é essencial a proteção dos direitos do Homem através de um regime de direito, para que o Homem não seja compelido, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;

Considerando que é essencial encorajar o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;

Considerando que, na Carta, os povos das Nações Unidas proclamam, de novo, a sua fé nos direitos fundamentais do Homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e se declaram resolvidos a favorecer o progresso social e a instaurar melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;

Considerando que os Estados membros se comprometeram a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efectivo dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais;

Considerando que uma concepção comum destes direitos e liberdades é da mais alta importância para dar plena satisfação a tal compromisso:

A Assembléia Geral proclama a presente Declaração Universal

dos Direitos Humanos

como ideal comum a atingir por todos os povos e todas as nações, a fim de que todos os indivíduos e todos os orgãos da sociedade, tendo-a constantemente no espírito, se esforcem, pelo ensino e pela educação, por desenvolver o respeito desses direitos e liberdades e por promover, por medidas progressivas de ordem nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua aplicação universais e efectivos tanto entre as populações dos próprios Estados membros como entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.

Artigo 1°
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.

Artigo 2°
Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades proclamados na presente Declaração, sem distinção alguma, nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna, de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será feita nenhuma distinção fundada no estatuto político, jurídico ou internacional do país ou do território da naturalidade da pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela, autônomo ou sujeito a alguma limitação de soberania.

Artigo 3°
Todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo 4°
Ninguém será mantido em escravatura ou em servidão; a escravatura e o trato dos escravos, sob todas as formas, são proibidos.

Artigo 5°
Ninguém será submetido a tortura nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes.

Artigo 6°
Todos os indivíduos têm direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.

Artigo 7°
Todos são iguais perante a lei e, sem distinção, têm direito a igual protecção da lei. Todos têm direito a protecção igual contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo 8°
Toda a pessoa tem direito a recurso efectivo para as jurisdições nacionais competentes contra os actos que violem os direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição ou pela lei.

Artigo 9°
Ninguém pode ser arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo 10°
Toda a pessoa tem direito, em plena igualdade, a que a sua causa seja equitativa e publicamente julgada por um tribunal independente e imparcial que decida dos seus direitos e obrigações ou das razões de qualquer acusação em matéria penal que contra ela seja deduzida.

Artigo 11°
1.Toda a pessoa acusada de um acto delituoso presume-se inocente até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas.
2.Ninguém será condenado por acções ou omissões que, no momento da sua prática, não constituíam acto delituoso à face do direito interno ou internacional. Do mesmo modo, não será infligida pena mais grave do que a que era aplicável no momento em que o acto delituoso foi cometido.
Artigo 12°
Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a protecção da lei.

Artigo 13°
1.Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado.
2.Toda a pessoa tem o direito de abandonar o país em que se encontra, incluindo o seu, e o direito de regressar ao seu país.
Artigo 14°
1.Toda a pessoa sujeita a perseguição tem o direito de procurar e de beneficiar de asilo em outros países.
2.Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de processo realmente existente por crime de direito comum ou por actividades contrárias aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
Artigo 15°
1.Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
2.Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo 16°
1.A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.
2.O casamento não pode ser celebrado sem o livre e pleno consentimento dos futuros esposos.
3.A família é o elemento natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção desta e do Estado.
Artigo 17°
1.Toda a pessoa, individual ou colectiva, tem direito à propriedade.
2.Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua propriedade.
Artigo 18°
Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Artigo 19°
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e idéias por qualquer meio de expressão.

Artigo 20°
1.Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas.
2.Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo 21°
1.Toda a pessoa tem o direito de tomar parte na direcção dos negócios, públicos do seu país, quer directamente, quer por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2.Toda a pessoa tem direito de acesso, em condições de igualdade, às funções públicas do seu país.
3.A vontade do povo é o fundamento da autoridade dos poderes públicos: e deve exprimir-se através de eleições honestas a realizar periodicamente por sufrágio universal e igual, com voto secreto ou segundo processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.
Artigo 22°
Toda a pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social; e pode legitimamente exigir a satisfação dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis, graças ao esforço nacional e à cooperação internacional, de harmonia com a organização e os recursos de cada país.

Artigo 23°
1.Toda a pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha do trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho e à protecção contra o desemprego.
2.Todos têm direito, sem discriminação alguma, a salário igual por trabalho igual.
3.Quem trabalha tem direito a uma remuneração equitativa e satisfatória, que lhe permita e à sua família uma existência conforme com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de protecção social.
4.Toda a pessoa tem o direito de fundar com outras pessoas sindicatos e de se filiar em sindicatos para defesa dos seus interesses.
Artigo 24°
Toda a pessoa tem direito ao repouso e aos lazeres, especialmente, a uma limitação razoável da duração do trabalho e as férias periódicas pagas.

Artigo 25°
1.Toda a pessoa tem direito a um nível de vida suficiente para lhe assegurar e à sua família a saúde e o bem-estar, principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à assistência médica e ainda quanto aos serviços sociais necessários, e tem direito à segurança no desemprego, na doença, na invalidez, na viuvez, na velhice ou noutros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias independentes da sua vontade.
2.A maternidade e a infância têm direito a ajuda e a assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozam da mesma protecção social.
Artigo 26°
1.Toda a pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional dever ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.
2.A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.
3.Aos pais pertence a prioridade do direito de escholher o género de educação a dar aos filhos.
Artigo 27°
1.Toda a pessoa tem o direito de tomar parte livremente na vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar no progresso científico e nos benefícios que deste resultam.
2.Todos têm direito à protecção dos interesses morais e materiais ligados a qualquer produção científica, literária ou artística da sua autoria.
Artigo 28°
Toda a pessoa tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efectivos os direitos e as liberdades enunciadas na presente Declaração.

Artigo 29°
1.O indivíduo tem deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.
2.No exercício deste direito e no gozo destas liberdades ninguém está sujeito senão às limitações estabelecidas pela lei com vista exclusivamente a promover o reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e a fim de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar numa sociedade democrática.
3.Em caso algum estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente e aos fins e aos princípios das Nações Unidas.
Artigo 30°
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados.

 
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Publicado por em março 22, 2011 em Notícias